quarta-feira, 30 de setembro de 2020

SP: professor pede para aluna abrir a câmera após saber que ela estava nua

Jovem afirmou que não apareceria em vídeo na aula online por não estar vestida; professor, então, sinalizou ponto extra se ela aparecesse


O professor William Tristão promete ponto extra para aluna abrir a câmera - (Foto: Reprodução)
Uma "brincadeira" entre um professor e uma aluna durante aula online da Faculdade de Direito de Franca, no interior de São Paulo, causou polêmica e agora tem sido tratada como caso de assédio. Em vídeo que circula nas redes sociais, o docente pede à estudante que abra a sua câmera após saber que ela estava sem roupa.
"Deve estar horrível", diz o professor. "Não é isso, não. É que eu ia tomar banho e estou sem roupa, não posso abrir", responde a estudante. Diante da informação, ele insiste. "Abre a câmera aí", diz. "Não, não vou abrir", continua ela.

Após ela informar que não seria possível aparecer em vídeo, e que manteria apenas o áudio aberto, o professor insiste e, inclusive, sugere aumentar a nota dela. "Está de sacanagem comigo? Sério que você falou isso no meio da aula?", questiona o docente. "Se vai ficar insistindo é melhor eu já falar a verdade, né?", justifica ela. "Meio ponto para você abrir a câmera", insiste ele. "Abrir a câmera não vale meio ponto, eu estudo", conclui a aluna.


O episódio que deu origem à polêmica aconteceu na noite de segunda-feira (28), durante uma sessão virtual ministrada pelo professor William Tristão. Após a conversa com a aluna, ele retoma a aula. Antes que a gravação divulgada terminasse, Tristão diz a um outro aluno que "ela teria o provocado".

O vídeo com a conversa, que acabou sendo compartilhado nas redes sociais, foi interpretado por vários internautas como assédio sexual e moral acompanhado de extorsão, visto que o professor utilizaria a pontuação extra como argumento para que a aluna aceitasse se exibir nua.

Uma outras imagem que também circula na internet mostra uma suposta mensagem enviada pelo docente aos alunos após a divulgação do vídeo. "Comunico que, até segunda ordem minha, se houver, em razão de uma brincadeira ocorrida ontem, internet partes, e que tem gerado incômodo, por meio de comentários maldosos, a uma colega, todos os alunos, diurno e noturno, estão sem os dois pontos de trabalho", diz.

Reações

Ao portal de notícias local GCN, Tristão nega a acusação e afirma que tudo foi falado em "tom de brincadeira". "Em nenhum momento houve assédio. A própria aluna me ligou e disse que não se sentiu assediada. Ela falou o mesmo para o vice-diretor”, completa o professor, que ainda alegou ter intimidade com a aluna.

“Eu já a conhecia. Os nossos pais trabalharam juntos e existia um contato anterior. Nós temos uma amizade. Em minhas aulas, eu busco descaracterizar a imagem de um professor de Direito. Eu faço, sim, brincadeiras, mas nunca com objetivo de envergonhar ninguém. Vocês podem procurar na instituição quantas reclamações existem contra a minha pessoa: nenhuma”, diz.

Já a universitária da FDF, que não teve a identidade divulgada, negou ao portal GCN o assédio e afirmou que quer evitar interpretações erradas sobre a situação. “Eu sou a 'ofendida' e ninguém escuta o que eu falo. Parece que só querem aparecer e prejudicar tanto a mim quanto a faculdade e o professor", argumenta ela, que aponta que parte da aula divulgada foi tirada de contexto.

O Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Franca emitiu uma nota de repúdio nesta terça-feira (29) sobre o ocorrido. Leia a íntegra do comunicado:

"Chegou ao conhecimento do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Franca um ocorrido na aula de Direito Penal do 4º ano do dia 28 de setembro de 2020.

Inicialmente é importante destacar que os alunos não devem compartilhar e divulgar tal situação em grupos ou entre particulares pois trata-se de uma exposição que não deve ocorrer para uma das partes.

Na ocasião, o professor conversava com uma aluna por áudio, situação em que pediu para que abrisse a câmera .A questão é que ao informar que não poderia abrir a câmera, pois iria entrar no banho e não estava devidamente vestida, o professor insistiu, inclusive mencionando pontuação correspondente.

O Diretório Acadêmico “28 de março” vem repudiar atos de assédio moral e sexual denunciados pelos alunos da Faculdade de Direito de Franca – FDF. Reiteramos, como uma pauta já expressa, que todo e qualquer tipo de abuso, agravado pela manipulação através das relações de poder instituídas na academia, são absolutamente inaceitáveis. Tais práticas, apesar do tom de brincadeira, ferem não apenas a ética das relações educacionais, mas o próprio processo de construção científica e a responsabilidade das instituições na formação de recursos humanos.

Relembramos que muitas vezes o assédio é estimulado, e repetidamente praticado, ancorando-se na perspectiva de impunidade e permissibilidade corporativista.

Entendemos que na Faculdade deve prevalecer a justiça, pois é o espaço de construção e autorreflexão da sociedade, portanto esse tipo de situação é inaceitável, ainda que se baseie em amizade entre professor e aluno.

Portanto, o Diretório Acadêmico solidariza-se com os estudantes, reafirma o compromisso de combater o assédio na academia e estar ao lado dos alunos, fazendo valer essa representação, na busca de melhores condições de ensino e pesquisa.

O Diretório Acadêmico protocolou hoje um ofício requerendo a abertura de sindicância para avaliar a conduta do professor, sendo requerido a imposição das penalidades previstas no artigo 187 e incisos do Regimento Interno da FDF."

Fonte: Rede Tv 

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