terça-feira, 23 de junho de 2020

Influencers em crise: Por que continuamos dando palco para tanta gente irresponsável?


Praticamente todos os dias um influencer digital é “cancelado” na internet devido a alguma conduta irresponsável durante a pandemia. Entretanto, um pedido de desculpas e alguns dias com as redes sociais desativadas já são o suficiente para a maioria deles voltarem a arrebanhar seguidores e a vender produtinhos de beleza.


 Por quê continuamos dando palco para essas pessoas?
O mundo vive nos últimos meses uma crise de saúde sem precedentes devido à pandemia de coronavírus, que só no Brasil já tem a assustadora marca de um milhão de casos confirmados e 468.881 vítimas fatais. 

A crise afeta também a vida de milhares de pessoas que perderam seus empregos ou viram seus pequenos negócios irem à falência e hoje lotam filas para sacar um auxílio emergencial que nem de longe cobre despesas básicas de uma família de classe média baixa no país. Entretanto, neste cenário que inspira inúmeras preocupações, ainda há quem esteja vivendo uma realidade paralela, ignorando o caos e abraçando a ignorância e a futilidade como se fossem estas as únicas alternativas.

 É o caso de muitos dos chamados “influencers digitais”, que seguem sua rotina de expôr marcas e vender a ilusão de um estilo de vida à la Kardashians em um país com mais de 13 milhões de pessoas vivendo na linha de extrema pobreza, de acordo com o IBGE.

Desde o início da pandemia, são raros os dias em que um influencer não vira manchete nos portais de notícia e trending Topic no Twitter devido a alguma conduta equivocada – para dizer o mínimo. Na última sexta-feira (19), a socialite e blogueira Fabianne Fonseca, mais conhecida como Fabi Raíssa, causou furor na internet ao ostentar sua luxuosa festa de aniversário em Brasília, onde os convidados eram recepcionados na porta por um grupo de enfermeiros, que lhes impunham testes de Covid-19 como condição para entrar. 

“Aqui só entra Covid Free”, disse uma das convidadas em um vídeo que foi imensamente compartilhado nas redes sociais. E este é só o último caso notório. Antes dela, passaram pela “roda do cancelamento” Gabriela Pugliesi – pelos menos umas três vezes – , e mais recentemente a ex-BBB Rafa Kalimann, com seu arraiá junino em meio à pandemia. 

O que está em discussão neste texto não é a validade da prática bastante questionável e cada vez mais recorrente de cancelamentos na internet, mas sim as perguntas que pairam no ar após esses episódios: o que foi que deu errado para que pessoas com tão ponto conteúdo substancioso ganhassem tamanha notoriedade? Por que, mesmo depois de inúmeras provas de que exercem o pior tipo de influência possível para jovens que se pretendem politizados, essas pessoas continuam arrebanhando seguidores e fazendo da ignorância e do desrespeito uma ostentosa bandeira?
Fonte: Conti Outra

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